domingo, 1 de maio de 2011

Existem dias (fod…) lixados !


Dias em que pensamos em tudo: na nossa existência, na existência dos outros e na importância da existência dos outros para connosco.

Vou ser sincero, eu vivo muito nestes dias, as pessoas pensam que a minha vida é um mar de rosas, mas não… para ter um dia como um mar de rosas, tenho de ter vinte dias (fod…) lixados.

Às vezes questiono-me se serei uma espécie de autista e que ninguém irá compreender o meu mundo…
Para ser sincero, eu gosto de ter dias (fod…) lixados… Sim! São estes dias que me fazem crescer e ver o mundo como ele realmente é. Gosto de olhar para as pessoas e interpretar o seu olhar e sim, gosto muito do meu mundo autista…

Faz pouco tempo que ouvi das piores coisas que me podiam ter dito e desde ai que não consigo sorrir nem dormir bem… Sinto-me um lixo a toda a hora, mesmo depois de ter conquistado uma das medalhas mais importantes da minha vida…


Eu sei que vou calar a boca a muita gente…
Estou farto de ser o bonzinho, de ser simpático e amável para todos e de não receber a sinceridade dos outros… às vezes penso que tenho de ser cabrão para atingir os meus objectivos. E é isso que vou fazer, com a minha humildade, vou calar a boca a muitos…
Tiago Alves 26 Abril 2010

(Publicado por : Horacio Alves)
Caros amigos, cumpre-me informar que este foi o ultimo texto que o Tiago nos deixou.
Tentarei dar continuidade ao seu blog, não tendo eu de todo a inspiração e dom que o Tiago revelou ao longo destes seus apontamentos.
Agradeço a todos os seguidores e, a todas as pessoas que deixaram sempre palavras de conforto e carinho. Forte abraço………..
Horácio Alves.

sábado, 2 de abril de 2011

Não se voa pela montanha acima.


“Não se voa pela montanha acima. Luta-se lenta e vagarosamente para subir a montanha, e, se se trabalhar arduamente, talvez consigamos chegar ao cimo antes dos outros” “ Faz de cada obstáculo uma oportunidade” “Faz o Negativo, Positivo”

Lance Armstrong “Vontade de vencer”


Amanhã será um dos dias mais importantes da minha vida. Poderei ganhar estatuto de Alta-Competição para poder entrar na Faculdade no curso que eu desejo mais, que é Fisioterapia. Mas mais do que isso, vou poder salvar a minha honra, vou poder mostrar a todos que consigo ganhar a qualquer um que me apareça à frente. Melhor ainda, poderei tirar o gosto amargo do Campeonato Nacional e passar por cima de todos os meus adversários. E para melhorar mais a situação, poderei conseguir os mínimos para o Campeonato da Europa e do Mundo de Juniores.

Não é maravilhoso? Num só dia poderei viver tantas emoções, que até tenho medo da minha reacção se ganhar a prova. Amanhã estarei presente na Taça da Europa de Juniores em Coimbra. É considerada a prova mais importante do calendário nacional. Estão presentes países como a Eslovénia, Republica Checa, Espanha, Brasil, Irlanda, Moldávia, Noruega, Luxemburgo, Suíça, Croácia, Alemanha e claro Portugal. Hoje foi o primeiro dia da prova e eu cometi o erro de ir assistir, pois comecei a ficar um pouco nervoso. Portugal não conseguiu nenhuma medalha de ouro apenas duas de prata e duas de bronze. Uma das medalhas de bronze é do meu colega de equipa Antoine Massart. Ele sem duvida que mereceu esta medalha, trabalhou bastante e tudo o que ele queria era o estatuto. Conseguiu! Eu de certa forma estou orgulhoso, mas tenho de ser sincero: quero fazer melhor que ele. Aliás a vitória dele apenas serviu para me dar mais pica. Estive com o meu psicólogo João Arruda e ele ajudou-me a descontrair. Não sei porquê, nem como, ele consegue deixar-me mais calmo antes da prova, estivemos a conversar e as suas palavras entravam-me na cabeça e ficavam lá dentro de tal modo que conseguia ficar mais relaxado e parece que nada é difícil, apenas nós avaliamos o que é ou não difícil. As coisas simplesmente são, nós é que atribuímos um significado. Sempre que estou em véspera de competição, costumo estar com as mãos e o queixo a tremer, mas, curiosamente não sinto nada disso neste momento. Apenas estou com ganas para amanhã. Estou com uma enorme vontade de competir amanhã. Não sei o que vai acontecer! Não sei se vou perder logo no primeiro combate ou se vou ganhar a prova. Apenas quero mostrar quem sou eu… quero mostrar quem é o Tiago Alves e quero tirar o peso que está nas minhas costas.

Vou-me encontrar no primeiro combate com Walbercy Aiva do Brasil. Não o conheço, mas ele também não me conhece, por isso estou bem. Sinto que consigo fazer uma boa prova e como referi em cima, “…se se trabalhar arduamente, talvez consigamos chegar ao cimo antes dos outros”. Eu tenho a consciência tranquila. Sei que trabalhei arduamente para esta prova. Trabalhei tudo o que poderia trabalhar, não há mais nada a fazer a não ser estar em cima do tapete e mostrar o trabalho que foi feito, não cometer erros e divertir-me! À muito tempo que não me divirto numa prova e estou com o feeling que vai ser amanhã. Gostava de dar às pessoas que vão assistir à prova um bom espectáculo de judo. Quero fazer muitas projecções e marcar muitos ippons. Esta prova como disse vai ter um peso importante na minha vida e quero usar esse peso como forma de conseguir forças e inspiração para o combate. Se algo não correr bem. Apenas tenho de aceitar. Amanhã estou no pavilhão nº3 do Estádio Universidade de Coimbra a partir das 10 horas da manhã para fazer o que eu mais gosto e o que eu sei fazer melhor: JUDO!!!!!


Tiago Alves - Sábado, 26 Março 2010 22:20


(Publicado por: Horacio Alves)

terça-feira, 1 de março de 2011

Carta a LANCE ARMSTRONG- 2ª Parte

Comecei a ler o teu livro quando completei 18 anos, em 14 de Janeiro, estava em véspera de uma competição importante, quem me ofereceu foi um dos dirigentes do meu clube e ele disse-me: “Ofereço-te este livro, para que consigas perceber que as grandes vitórias não são só as do desporto, também são as da vida e o Lance Armstrong é um exemplo disso, ele não foi só um campeão no ciclismo, também foi um campeão na vida. É um exemplo que deves seguir, espero que este livro te inspire.”

E inspirou-me… Confesso que antes de ler o teu livro não fazia a mínima ideia de quem tu eras, sabia que tinhas ganho sete vezes o Tour França e que eras um dos melhores ciclistas do mundo, mas desconhecia que tinhas sofrido de cancro e isso chocou-me um pouco. Fiquei logo emocionado com as primeiras páginas do livro. Li o livro sem parar, nos intervalos da escola, à noite, antes dos treinos, antes das provas.
Ganhei a competição a seguir ao meu aniversário e jurei a mim mesmo que iria fazer tudo para ser um campeão, não só no judo, queria mostrar às pessoas que consigo mais, sempre mais.
Como disse estive a preparar-me para que este ano 2010 me corresse da melhor maneira. E começou bem, ganhei o Open de Lisboa, fiquei em 2º no Campeonato Zonal. Mas o objectivo, era sem dúvida conquistar a minha 3ª vitória no Campeonato Nacional.

Trabalhei tanto e todas as pessoas (pais, treinadores, namorada, amigos) achavam que eu iria ganhar. Treinei a minha técnica, a minha resistência física, a minha velocidade, a minha força. Mas infelizmente não correu como eu esperava. Perdi por um castigo na meia-final a um gajo que eu já tinha ganho. Fiquei em terceiro e foi das piores medalhas que já tive. Eu ganho a todos os que estavam no meu pódio, até mesmo ao campeão nacional que ganhou ao meu adversário da meia-final. Fiquei desolado, queria ganhar para poder enviar-te uma foto com a medalha de ouro ao peito e dedica-la a ti, mas, esta medalha, não vale a pena dedica-la pois não me sabe a nada.

O que foi melhor disto tudo, foi o facto que ter conseguido entrar na Selecção Nacional de Juniores.
Agora estou a preparar-me para a Taça da Europa em Portugal onde estão convocados os três primeiros do Campeonato Nacional. O meu objectivo será obter uma medalha e ficar à frente dos meus adversários para que seja eu a ir ao campeonato da Europa e do Mundo de Juniores.
Confesso que sou um pouco fraco a nível de resistência. Costumo ir nadar e correr, mas lembrei-me que vivo numa zona montanhosa, por isso nada melhor do que comprar uma bicicleta para passear pelas montanhas e desde que li o teu livro, que me interesso muito pelo ciclismo.

Comprei uma Scott Scale 50, coisa simples para quem está a começar a modalidade. Participei numa prova de bicicleta de montanha e fiquei fascinado, desde então que não paro de andar de bicicleta. Divirto-me e é uma excelente forma para me preparar fisicamente para o judo. Quando subi pela primeira vez as montanhas perto da minha casa, senti-me bem, senti-me livre e ninguém acreditava que conseguia subi-las devido à minha falta de prática, mas fui e consegui e disse a todos os que não acreditavam “Nunca me digam que não consigo”. Quando estive no topo da montanha, lembrei-me de ti, lembrei-me do quanto deves ter sofrido para conseguires ganhar o teu primeiro Tour de France após teres vencido o cancro. És sem dúvida único e tens todo o valor do mundo.
Desde que comecei a ler o teu livro que os meus colegas de equipa gozam comigo, dizem que tu és um dopado. Isso irritava-me sempre, eu dizia que não o eras e mesmo que fosses, era preciso muita coragem para fazer o que fizeste depois do que sofreste com o cancro. Eles ficaram intimidados e não gozaram mais.
Como disse não sou um fã fanático , mas confesso que me inspiraste muito estes últimos meses e continuas a inspirar-me, tenho uma visão diferente na minha vida como atleta, estudante e como pessoa. Aprendi a usar o que está contra mim a meu favor e independentemente de tudo, nunca desistir, pois se continuarmos e atingirmos os nossos objectivos a vida corre-nos melhor e somos mais felizes. Um dia gostava de estar frente a frente contigo e dar-te um abraço de solidariedade, de respeito e de amigo. Quem sabe um dia poderei ensinar-te uns golpes de judo e andar ao teu lado de bicicleta.
Para além de ir ao Jogos Olímpicos, também gostava de um dia organizar uma fundação com o objectivo de espalhar a pratica desportiva nas pessoas menos capazes, como deficientes motores, visuais. Gostava que no meu clube pudesse haver uma classe aberta a pessoas deficientes. Talvez , se conseguir ser um atleta de elite consiga ter apoios para organizar esta fundação, mas para isso também tenho de trabalhar para que consiga ser reconhecido.
Bem não tenho neste momento mais nada de especial a escrever. Espero que na próxima carta te possa mandar uma foto minha com a medalha da Taça da Europa em Portugal ao peito. Nunca se sabe, mas está prometido.
Sei que deves receber inúmeras cartas de fãs e que não deves ter tempo para responder a nada. Não estou a pedir que me escrevas uma carta, apenas gostava que me enviasses algo que me possa confirmar que leste a minha carta. Qualquer coisa. Espero não estar a ser chato. Sinto que iria ser importante para mim, para a minha auto-estima e que certamente iria ser mais uma fonte de estímulo e de inspiração. Vou continuar a acompanhar-te e a acompanhar a tua fundação.
Um grande abraço deste teu “novo” amigo =)
Tiago Alves
7 Março 2010

Dear Tiago,
Thank you so much for your e-mail and your interest in Lance Armstrong.
Feel free to send your letter to:
Capital Sports and Entertainment
Attn: Lance Armstrong
Unfortunately, since Lance receives so many similar letters, we will not be able to confirm correspondence from him personally. Again, I sincerely apologize and thank you for your continued support of Lance Armstrong.
LIVESTRONG,
Mary Grace Mooney
( Publicado por Horacio Alves)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Carta a LANCE ARMSTRONG- 1ª Parte

Caro Lance,
Chamo-me Tiago Alves, tenho 18 anos de idade e sou de Coimbra, Portugal.
Sou judoca de alta competição. Pratico judo desde os 4 anos de idade e desde então que nunca mais parei. E só vou parar quando não me mexer.
Tive a oportunidade de receber o teu livro, no dia em que completei os meus 18 anos, e fiquei impressionado com tua história. Mudei muito a minha maneira de ser e de ver as coisas. Posso dizer que agora pratico desporto não pela obrigação de treinar e obter bons resultados, mas sim por prazer, diversão e gosto de ganhar. Confesso que já estou a ler o livro pela 2ª vez =D
Vi-me de certa forma necessitado de te escrever. Sei que recebes inúmeras cartas de fans fanáticos por ti. Bem, eu não sou bem um fã fanático, mas ao ler a tua história percebi que de facto existe algo de especial dentro de ti e isso inspirou-me bastante. Hoje preparo cada competição com dois objectivos: ganhar e divertir-me.
Gostava de te contar um pouco da minha história pessoal. Espero não ser maçudo.
Nasci no dia 14 de Janeiro de 1992, no Hospital Santa Maria em Lisboa. O meu pai chama-se Horácio Alves e a minha mãe Margarida Silva Alves, eles tiveram-me com 30 anos de idade, cada um. Tenho um irmão dez anos mais velho, filho do primeiro casamento do meu pai, chama-se Rui Alves. Damo-nos todos super bem, eu amo-os a todos e sou bastante amado por eles, não me quero gabar, mas sei que sou o orgulho deles. O meu pai é o meu ídolo, está sempre presente nas minhas competições e apoia-me nos bons e maus momentos. É o meu melhor amigo.

A minha mãe é aquela senhora que me protege, que me defende, mesmo quando não tenho razão, é ela que se preocupa sempre com o meu bem estar e faz de tudo para me agradar. Sou, é certo, um rapaz mimado.
Nasci com uma deficiência na boca. Tive uma fenda no lábio e no palato, e à medida que fui crescendo, o meu maxilar inferior estava a ir para a frente e tinha o nariz ligeiramente torto. Fiz ao longo da minha vida 6 operações plásticas e estive cerca de 9 anos com aparelho nos dentes. Terminei em Dezembro de 2009 com o meu processo. Graças a este pequeno problema, eu fui (e ainda sou um pouco) durante a minha infância e adolescência um rapaz muito tímido e fechado em relação aos outros. Nunca fui de fazer grandes amigos e sempre fui muito selectivo nas pessoas que escolhia para fazer amizades. Normalmente tinha sempre dois ou três amigos com que eu me desse mais. Claro que raparigas comigo era um pesadelo, eu ficava sempre com a ideia de que elas me achavam feio e por isso nunca me chegava à frente e nunca sabia o que dizer. Era um mariquinhas nesse aspecto. Mas neste momento, penso que estou a melhor em relação a isso. Já arranjei namorada e gosto muito dela, chama-se Andreia, tem a minha idade e também faz judo.
Andei num colégio privado em Lisboa e desde muito cedo que os meus pais queriam que eu praticasse um desporto, para conviver com mais pessoas e para ter uma vida mais saudável. No Colégio havia natação, basquete ball , volleiball, judo, ginástica e ballet. Natação não podia devido à minha pequena deficiência, que ao inalar a água com cloro, ficava com alergias e porque tambem me constipava com muita facilidade. Basquete Basquete e Vollei era para alunos mais velhos. Ginástica e Ballet só tinha raparigas. Só sobrava o Judo e foi aí que comecei.
O meu primeiro treinador chamava-se António Matias, era o seleccionador nacional feminino, criou super atletas como Telma Monteiro, tricampeã da Europa e duas vezes 2º lugar nos Mundiais e duas vezes atleta olímpica.
Ele sempre disse aos meus pais que eu tinha jeito para o judo, mas eu queria competir e então, com 8 anos de idade, participei na minha primeira competição e ganhei. Fiquei contente porque iria receber uma medalha, mas para meu espanto, as medalhas da competição já tinham acabado. Fiquei tão triste e cheguei a chorar, tudo o que eu mais queria era a minha primeira medalha. Foi então que o meu treinador, que era organizador da competição, foi buscar à arrecadação uma caixa com restos de medalhas de outras provas e deu-me uma. Fiquei feliz e encantado. Lembro-me de ter dormido com a medalha.
Ao vencer quatro competições consecutivas em criança, fui-me imaginando nos Jogos Olímpicos e desde então, que esse sempre foi o meu sonho…
Sonho com os Jogos todos os dias, gostava de ter a sensação de desfilar na Cerimonia de Abertura, competir num palco cheio de adeptos, não só do judo mas do desporto e do espírito olímpico. Gostava de ter essas e muitas outras sensações. Mas claro que o grande sonho, o meu maior sonho, era ter uma medalha olímpica, de preferência a de ouro. Desde então que trabalho e compito com os Olímpicos em mente.
Mudei-me para Coimbra com 11 anos e continuei a praticar judo num clube chamado Associação Académica de Coimbra (AAC-JUDO). Foi ai que melhorei as minhas qualidades técnicas e tácticas. Era sempre exigente comigo mesmo. Quando acabavam os treinos da classe de iniciados (sub12 e sub15), ia logo a seguir fazer o treino de competição com os seniores, mas contra a vontade do meu treinador de iniciados. Os meus treinadores ficavam espantados ao ver-me treinar, com 14 anos treinava mais que qualquer senior. medalhava sempre em qualquer prova que entrasse. Fui duas vezes campeão nacional (sub15 e sub17) e este ano alcancei a medalha de bronze nos juniores. Sinceramente não estou muito satisfeito com este resultado, mas eu já te explico porquê.
Em 2008 estive na selecção nacional de sub17 e participei no circuito europeu, onde em quatro provas internacionais, alcancei duas medalhas de bronze. Mas infelizmente não consegui participar no Campeonato da Europa de sub17 pois o meu ex-rival da minha categoria conseguiu atingir os resultados mínimos e eram melhores que os meus. Em 2009 não consegui classificar-me no Campeonato Nacional de Juniores, por isso não fiz parte da selecção, que só escolhia os três primeiros classificados do pódio nacional. Mas continuei a trabalhar, participei em provas de seniores (mesmo sendo júnior de 1º ano) e medalhei sempre, estive em 3º no ranking nacional de Seniores, era o melhor júnior no ranking de seniores.
Fiz parte da equipa de seniores da AAC-JUDO, era o elemento mais novo da equipa e fiquei em 3º no Campeonato Nacional de Equipas, participei no Campeonato Europeu de Clubes onde só eu e um outro colega meu conseguimos vitória.
Não parei e desde 2009 que trabalho arduamente para que em 2010 tenha uma época com bons resultados e que consiga entrar na selecção de juniores e fazer o circuito europeu.(Continua...)

Tiago Alves 07 Março 2010

( Publicado por Horacio Alves )





sábado, 1 de janeiro de 2011

CAMPEONATO NACIONAL DE JUNIORES 2010




Dia 21/02/2010 Domingo

Eram sete da manhã. Finalmente chegou o dia!
Mal acordei fui ter ao quarto dos meus pais e disse-lhes “Chegou a hora da GUERRA”. Fui tomar banho, vestir o meu fato de treino da AAC e seguimos em direcção ao pavilhão no Estádio Universitário de Lisboa . Queria pesar-me o mais rápido possível para poder tomar o meu pequeno almoço.
65,7 kg era o meu peso. Mais uma vez, sem grande sacrifício, consegui estar no peso. Apenas uma semana sem grandes abusos alimentares e estou fino.
Tomei o pequeno-almoço com os meus pais num snack-bar junto ao pavilhão. Quando acabei o meu pai voltou-se de novo para mim e disse:

“Hoje é o teu dia, mostra o que vales! E não te esqueças, aconteça o que acontecer, eu amo-te muito”

Fui ter com os meus colegas de equipa e fomos todos preparar-nos para aquecer. O nosso treinador João Neto tratou de nos orientar enquanto o Jocá foi buscar as folhas de prova. Tinha-me calhado para o primeiro combate um atleta de Portimão, achei que poderia ser um combate fácil mas, nunca o subestimei.
Após o aquecimento, fui para o meu habitual momento de concentração. É nestes momentos na prova que eu aproveito para rever todo o meu percurso até ao momento. Pensei em todos, nos meus pais, no meu irmão, na minha namorada (que também iria competir), na minha família, nos meus colegas de equipa e amigos e nas vezes que não consegui medalhar em nacionais anteriores. Eu já sabia qual era o gosto de ser campeão nacional por duas vezes. Queria senti-lo hoje outra vez … “Hoje é uma prova importante. Tens de provar a ti mesmo, que consegues provar a todos que és um campeão! Ganhes ou percas, não te manifestes. E não te esqueças de te divertir” disse eu a mim mesmo. Fechei os olhos, respirei fundo e segui em frente…
Como tinha previsto os dois primeiros combates foram simples. Ganhei o primeiro por ippon (vantagem máxima) e o segundo por wazari.
Nos quartos de final iria encontrar o Pedro Guarinho da Universidade Lusófona. Não iria ser um combate fácil, mas eu pensei que conseguiria ganhar. Durante o combate todo, estive sempre, sempre a atacar e ele pouco ou nada fazia. O único problema, é que ele não caía de jeito nenhum e isso começava a enervar-me. Após tantos ataques, comecei a fazer falsos ataques, a que os árbitros me castigaram. Ele apenas teve de gerir o combate até ao fim. Não queria, não podia perder este combate “Eu sou mais forte que este gajo” pensei eu. O João Neto gritava a protestar contra os árbitros pois estes não castigavam o meu adversário por ele não atacar. Insisti em atacar e ele nada. Pura e simplesmente não caía por mais que lhe batesse nas pernas, por mais que abanasse, ele não caia…

Acabou o tempo…
Perdi…… perdi por castigos, castigaram-me por ter arriscado em atacar, por falsos ataques e ele não, praticamente não atacou, não o castigaram por falta de combatividade.
“Oh não! Lá estás tu outra vez Tiago” pensei eu. Pensei nas minhas anteriores derrotas em Nacionais. Lembrei-me do sabor amargo de não levar uma medalha no ano passado. Fui-me isolar de todos para que ninguém me visse e comecei a chorar.

“Porquê? Eu treinei tanto… eu sou mais forte que todos eles… porque não consigo ganhar? O que se passa comigo?”
Iria ser repescado. Tinha uma oportunidade para conseguir medalhar. Mas sinceramente, esta medalha não me iria saber a nada… Eu sabia que era o mais forte na categoria de -66kg. A medalha de bronze apenas serviria para salvar a minha honra, para ser convocado pela selecção para as provas internacionais. Todos se esquecem dos terceiros lugares.
O João Neto disse-me que não tinha mal eu ter perdido o combate. “Fizeste um excelente combate, o gajo é mais fraco do que tu.”
O Jocá, também triste, disse-me que não deveria arriscar tanto.
Fui-me sentar num banco e o meu colega Gustavo veio ter comigo e disse-me:
“Puto, alegra-te! Todos viram que tu estavas superior. Saca a medalha de bronze e vais mostrar quem manda no Torneio Internacional de Portugal”.
O meu pai também veio ter comigo “Filho, tiveste tão perto. Agora esquece e saca a medalha de bronze. O Torneio Internacional de Portugal vai-te correr melhor… olha alegra-te agora, vai para o tapete e faz aquilo que melhor sabes. Dá a esta gente um espectáculo de judo e diverte-te.”
Eu disse-lhe para ele ligar ao meu irmão, eu queria que ele estivesse presente.
Faltavam dois combates para ir disputar a medalha de bronze, ganhei-os sem dificuldades.
Não estava de todo alegre. Por mais que me esforça-se era-me difícil sorrir. Não só pela minha prova mas também pela da minha namorada, que também tinha corrido mal. Não quis ir ter com ela “Ganhe ou perca na minha prova, não quero que venhas ter comigo enquanto estiveres a combater. Não quero que te distraias.” Mas eu no fundo queria abraçar-me a ela e dar-lhe um beijo. Mas tinha a minha missão para concluir.
Não iria conseguir o meu objectivo máximo, mas pelo menos o mínimo tinha de conseguir. O combate que se seguia era para a medalha de bronze contra Paulo Jesus do Judo Clube do Funchal. Já o conhecia e sempre lhe ganhara. Cheguei à área de competição olhei para os meus pais, para o meu irmão que tinha acabado de chegar, para minha namorada, para os meus colegas e quis fazer o que o meu pai me pediu, dar um espectáculo de judo. O João Neto e o Jocá viram-se para mim e disseram para fazer o meu judo. E foi o que fiz… Peguei no meu adversário e arrebatei a técnica mais bonita que sei fazer, uchi-mata.


Ippon, era medalha de bronze… levantei o braço para todos eles a agradecer o apoio. Quando sai da área abracei-me aos meus colegas e treinadores, fui-me isolar de novo e fui chorar, não de alegria, mas sim de raiva. Raiva de saber que o adversário com quem perdi ficou em 2º, raiva de saber que já ganhei ao atleta campeão nacional, raiva se saber que pelo menos naquele dia, eu era o mais forte.
Na cerimónia de medalhas não consegui sorrir, sentia-me frustrado e até mesmo envergonhado… sai do pódio e tirei logo a medalha do peito, coisa que não costumo fazer. Sempre que medalhava, sentia-me orgulhoso da medalha, mas naquele momento não senti orgulho nenhum…
Toda a gente estava com esperanças que eu conseguisse melhor, mas não consegui.
Enfim, já passou, este objectivo não foi 100% concluído mas também não foi mau, agora tracei um novo objectivo: Medalhar no Torneio Internacional de Portugal.



Vou continuar a trabalhar, trabalhar ainda mais afincadamente… Tenho ainda muito para dar.

Tiago Alves 21/02/2010
(Publicado por- Horacio Alves)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O DIA ANTES-CAMPEONATO NACIONAL DE JUNIORES 2010

Dia 20/02/2010 Sábado
Após três noites de insónias e nervos praticamente todos os dias, decidi falar com o meu psicólogo João Arruda antes de partir para Lisboa. Encontrámo-nos de manhã na Livraria Almedina, como de costume, contei-lhe das minhas insónias e o porquê do meu estado de nervos para esta prova. Expliquei que, apesar de não ser das provas mais importantes, eu queria mostrar o meu valor, queria ser o nº 1 de Portugal, queria ser campeão nacional.
Perguntou-me como é que eu achava que iria correr a prova. Eu disse-lhe: “Estou à espera que os dois primeiros combates sejam, mais ou menos fáceis, a partir daí a coisa irá complicar”


“Eu atleta, ele atleta, nós competir” nada mais importa. Disse-lhe que precisava de me abstrair da prova e questionei-lhe se ler seria uma boa solução “Sim, leva o livro do Lance Armstrong. É um livro que tu já conheces a historia, que te inspira, acho que seria boa ideia levá-lo para ler na prova” disse ele. O único problema, é que eu não tinha o livro do Lance Armstrong na minha mala de viagem e já não dava tempo para voltar a casa para o ir buscar. Fiquei chateado, mas não desesperei. Levava comigo o livro que tinha começado a ler “Os Homens que odeiam as Mulheres”. Talvez me ajudasse a abstrair na mesma.
Segui de viagem e como era hábito, pus os headphones nos ouvidos, ouvi musica, adormeci e só acordei quando tínhamos chegado a minha casa em Lisboa.
Como estava a controlar o meu peso, não podia abusar muito no comer, por isso não almocei e jantei cedo.

A minha mãe tinha planeado antes de ir dormir uma espécie de spa, com o objectivo de me relaxar o suficiente para eu dormir aquela noite.

Estive o dia todo praticamente calado, sem falar com ninguém, mesmo quando a minha namorada me ligou, eu não estava muito falador. Os meu pais tentavam dar-me incentivo .
“Não tenhas duvidas que com o que tu trabalhas e pelas provas que fizeste, tu tens todas as possibilidades de chegar à prova e fazer grandes combates” dizia o meu pai, repetidamente. Eles pareciam bastante nervosos, mas ao mesmo tempo confiantes de que eu iria fazer uma grande prova.
Após o banho, deitei-me na cama e comecei a ler, à espera que me viesse o sono. Certa altura chegou o meu pai e disse: “ Aconteça o que acontecer amanhã, eu amo- te muito”. Aquelas palavras ficaram-me a noite toda.




Tiago Alves dia 20 de Fevereiro 2010
(Publicado por-Horacio Alves)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

OS MEUS DESEJOS..........




Todos nós temos sonhos… Eu não sou diferente! Existe uma serie de desejos que gostaria de cumprir na minha vida. Mesmo que demorem anos… Gostava de ter o privilégio, ou prazer se é assim que podemos chamar, de os realizar.


Lembrei-me do filme “Nunca é tarde demais” com Jack Nicholson ( não tenho a certeza se é assim que se escreve) e Morgan Freeman… São dois doentes de cancro, com cerca de 6 meses a um ano de vida, que resolvem fazer uma lista de desejos que gostavam de fazer até morrer.

Não é que seja esse o meu caso, ainda bem… Mas pus-me a pensar “e se eu fizesse também uma lista?”.
Parece idiota, visto que muitos dos meus desejos poderão nem sequer vir a realizar-se. Mas quero ter o privilégio de os ler e sonhar. Imaginar-me neles, fazer “filmes”.

Eis então a minha lista:
1. Ir aos Jogos Olímpicos e se possível medalhar
2. Ir ao Torneio de Paris e se possível medalhar
3. Ter pelo menos uma medalha no Campeonato da Europa e do Mundo
4. Ser campeão nacional de todos os escalões
5. Casar com a mulher que eu amo
6. Ter dois filhos
7. Ir nadar nas águas quentes do Hawai ou fazer surf/bodyboard e apreciar as suas lindas paisagens.
8. Estar no cimo de uma montanha alta e deixar-me levar pelo seu vento e paisagem
9. Ir à África do Sul ou Jamaica
10.Ir à Austrália
11.Ter uma garrafeira
12. Abraçar o meu Ídolo e dizer lhe o quanto ele me inspirou
13. Quero ser o orgulho da minha família
14.Gastar o meu primeiro ordenado no que me apetecer
15. Ser um Campeão, não só no judo
16. Praticar desporto até não me mexer mais
17. Acabar a prova de triatlo XTerra. Seja em que país for
18. Ter uma casa de praia
19. Fazer pára-quedismo
20. Escrever um livro
21.Morrer sem sofrimento


Tiago Alves-19 de Fevereiro de 2010 00:27 da noite
(Publicadopor-Horacio Alves)