quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O DIA ANTES-CAMPEONATO NACIONAL DE JUNIORES 2010

Dia 20/02/2010 Sábado
Após três noites de insónias e nervos praticamente todos os dias, decidi falar com o meu psicólogo João Arruda antes de partir para Lisboa. Encontrámo-nos de manhã na Livraria Almedina, como de costume, contei-lhe das minhas insónias e o porquê do meu estado de nervos para esta prova. Expliquei que, apesar de não ser das provas mais importantes, eu queria mostrar o meu valor, queria ser o nº 1 de Portugal, queria ser campeão nacional.
Perguntou-me como é que eu achava que iria correr a prova. Eu disse-lhe: “Estou à espera que os dois primeiros combates sejam, mais ou menos fáceis, a partir daí a coisa irá complicar”


“Eu atleta, ele atleta, nós competir” nada mais importa. Disse-lhe que precisava de me abstrair da prova e questionei-lhe se ler seria uma boa solução “Sim, leva o livro do Lance Armstrong. É um livro que tu já conheces a historia, que te inspira, acho que seria boa ideia levá-lo para ler na prova” disse ele. O único problema, é que eu não tinha o livro do Lance Armstrong na minha mala de viagem e já não dava tempo para voltar a casa para o ir buscar. Fiquei chateado, mas não desesperei. Levava comigo o livro que tinha começado a ler “Os Homens que odeiam as Mulheres”. Talvez me ajudasse a abstrair na mesma.
Segui de viagem e como era hábito, pus os headphones nos ouvidos, ouvi musica, adormeci e só acordei quando tínhamos chegado a minha casa em Lisboa.
Como estava a controlar o meu peso, não podia abusar muito no comer, por isso não almocei e jantei cedo.

A minha mãe tinha planeado antes de ir dormir uma espécie de spa, com o objectivo de me relaxar o suficiente para eu dormir aquela noite.
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Estive o dia todo praticamente calado, sem falar com ninguém, mesmo quando a minha namorada me ligou, eu não estava muito falador. Os meu pais tentavam dar-me incentivo .
“Não tenhas duvidas que com o que tu trabalhas e pelas provas que fizeste, tu tens todas as possibilidades de chegar à prova e fazer grandes combates” dizia o meu pai, repetidamente. Eles pareciam bastante nervosos, mas ao mesmo tempo confiantes de que eu iria fazer uma grande prova.
Após o banho, deitei-me na cama e comecei a ler, à espera que me viesse o sono. Certa altura chegou o meu pai e disse: “ Aconteça o que acontecer amanhã, eu amo- te muito”. Aquelas palavras ficaram-me a noite toda.




Tiago Alves dia 20 de Fevereiro 2010
(Publicado por-Horacio Alves)